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“A facilitação é uma interação ecológica na qual uma espécie altera as condições do meio o tornando mais favorável para outros indivíduos. Em ambientes mais estressantes, essa interação é fundamental para o estabelecimento de muitas espécies.” Renan Parmigiani

Pensando na perspectiva de uma Ecologia Humana Social, a Facilitação surge nesse mesmo contexto e tem o mesmo propósito: promover a diversidade em interações colaborativas.

O facilitador é como uma espécie pioneira, que chega no local para deixar o ambiente mais favorável para quem está por vir. Por isso ele cria um fluxo para o encontro/reunião pensando na melhor forma de acolher as pessoas, de criar conexões entre elas, de escutar as necessidades daquele grupo, para que as tensões possam ir aos poucos se dissolvendo. Ele pensa na melhor forma de utilizar o tempo e nas propostas de atividades mais adequadas para se trabalhar o objetivo que aquele grupo quer.

Com esse campo criado, as pessoas podem então entrar em um estado interno de segurança e conforto que as permite ser mais verdadeiras, abrindo espaço para:

  • que possam expressar sentimentos e pensamentos sem medo de retaliações.
  • um caos criativo com contenção para que esse possa ser bem canalizado para uma construção coletiva objetiva.
  • o sentir, para se perceber e se conhecer enquanto participa do processo.
  • aprender mais do que dar respostas certas.
  • que as visões possam ser expandidas, para que vozes diversas possam ser incluídas.

Assim como na agrofloresta, depois de algum tempo, a espécie pioneira torna-se desnecessária e deixa aquele ambiente, para não bloquear o crescimento das que vieram depois e conseguiram se estabelecer. Por isso o trabalho do facilitador é bem cumprido quando ele se torna desnecessário. Pode ser que isso leve um tempo, pois é uma mudança de cultura e também que depois o facilitador seja necessário novamente, pois todos os times passam por várias fases de desenvolvimento.

Para cada fase, tipos de facilitador, metodologias e ferramentas diferentes podem ser necessárias. Muitas vezes, os facilitadores possuem diversas ferramentas e habilidades que apoiam em momentos de:

  • cocriação de um projeto (dragon dreaming, design thinking..)
  • planejamento participativo (dragon dreaming, design thinking…)
  • trabalhar conflitos ou temas polêmicos (cnv, fórum, diálogo, aquário…)
  • organização e gestão da equipe/projeto (sociocracia, holocracia…)
  • celebração/feedbacks (linha do tempo, análise sistêmica, constelação…)
  • engajamento e fortalecimento da equipe (pedagogia da cooperação, jogos cooperativos..)

e por aí vai…

O facilitador, pode ser um agente externo ao grupo/organização, que é contratado para executar esse trabalho, ou pode ser alguém que já atua dentro da organização/grupo que são o que estamos chamando de Líderes Facilitadores. São pessoas, que em geral possuem cargos de gestão ou costumam ter uma liderança natural nos ambientes em que trabalham e em determinadas situações (o que chamamos de liderança situacional). Por isso, todos nós podemos ser lideres facilitadores, se compreendermos qual é o nosso papel de liderança no sistema.

Um líder que compreende seu papel não só dentro da organização como no mundo e na vida, pode causar transformações significativas e necessárias para o momento em que vivemos. Diferente das plantas e animais o ser humano possui um fator ético que é incomparável a outras espécies e por isso precisamos refletir sobre a competição como o padrão social dominante.

Em algum momento da história da humanidade, provavelmente por conta de uma escassez de recursos, a interação pela competição apareceu entre os seres humanos, mas hoje, mesmo com toda a tecnologia e informação à disposição, recursos em abundância, super produção de alimentos e a possibilidade de transportá-los a qualquer parte do mundo, agimos com base no paradigma da escassez. Vivemos em estado de alerta, de medo, criamos sistemas que promovem escassez e com isso provocam interações por competição desnecessariamente.

Tanto a competição, quanto a facilitação, são interações que surgem em ambientes estressantes. Não há dúvida, que a grande maioria das organizações são ambientes de muito estresse. Na natureza, a competição gera a eliminação da diversidade de espécies, na sociedade criamos uma monocultura humana, uma padronização de pensamentos e comportamentos, uma disputa por poder e a não aceitação das diferenças, gerando desigualdade econômica e social.

Estamos criando organizações que servem a um sistema que não serve mais à vida. Um sistema em que muitos precisam perder para muito poucos poderem ganhar, isso é perder o valor ético, fator fundamental que nos torna seres humanos. Por isso, o líder facilitador tem uma papel regenerador, primeiro ativando dentro de si a sua autoliderança e depois facilitando processos que resgatem relações de cooperação, que fortaleçam o sentido de comunidade, nas equipes, que abarquem a complexidade e assim possam gerar soluções inovadoras com base num paradigma de suficiência. Dessa forma, a capacidade de gerar resultados positivos para a organização, para sociedade e meio ambiente pode ser alcançada.

Portanto, dentro desse contexto, a facilitação emerge como um tipo de interação capaz de regenerar os ambientes humanos onde a competição está gerando a perpetuação de uma cultura de medo da escassez que nos impossibilita de acessar o nosso real potencial criativo e transformador do ser humano e o real estado de conforto, segurança e satisfação necessários para que possamos viver de forma sustentável em harmonia com as diferenças.

Um líder facilitador, relembra que organizações são feitas de humanos e que temos a escolha de seguir com os mesmos padrões consumindo e destruindo a natureza ou de ousar regenerá-la.

Workshop de Liderança Facilitadora: 14, 15 e 16 de junho no Rio de Janeiro

Mais informações: https://www.facebook.com/events/412916056155845/

Texto: Ilana Majerowicz

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